Ao falarmos dos dez mandamentos, de forma isolada, e da lei de forma genérica podemos, com alguma facilidade, incorrer em imprecisões e até sermos levados para conclusões opostas à realidade. Uma precaução importante a ter em conta é a análise dos mandamentos à luz do pacto que Deus estabeleceu com o povo de Israel através de um mediador, Moisés, como referiu Dyrness “A lei expressa o caráter da vida na aliança” (1977, p. 129).

Os Dez mandamentos foram comunicados via oral a Moisés (Êxodo 20) e mais tarde escritos pelo dedo de Deus em duas tábuas de pedra (Êxodo. 31:18). Estas leis aparecem em dois textos: Êxodo 20:2-17 e repetidos em Deuteronómio 5: 6-21 de uma forma mais elaborada. Os dois textos são muito idênticos apenas o quarto mandamento surge com um argumento diferente: no texto de Êxodo apresenta a criação e o descanso de Deus no sétimo dia, no texto de Deuteronómio que se guardasse o Sábado como lembrança da opressão no Egito. O objetivo da guarda do Sábado é repetido de forma igual nos dois textos “… para o santificar”.

Os dez mandamentos são a coluna dorsal da lei, sendo os quatro primeiros mandamentos referentes ao relacionamento de Deus com Israel e os seis seguintes ligados com os relacionamentos humanos. O quinto mandamento é dirigido ao relacionamento entre pais e filhos, como que um ponto intermédio entre Deus e o semelhante. É de referir que a lei foi registrada em duas tábuas de pedra, provavelmente com o seu conteúdo dividido pelas duas. Direciona-se igualmente para dois destinatários: Deus e o semelhante. “Os dez mandamentos são o coração do judaísmo, e constituem o núcleo do código moral e ritual que foi posteriormente desenvolvido para os outros mandamentos.” (Wigoder, 1993, p. 251)

Obras Citadas

Dyrness, W. (1977). Themes in Old Testament Theology. Downers Grove, Illinois: Intervarsity Press.

Wigoder, G. (1993). Dictionnaire Enciclopédique du Judaisme. Paris: Les Éditions du Cerf.