A ascensão da Macedónia, sobre a Grécia e depois sobre um território de tão grande alcance, foi possível dado ao génio de dois homens: Filipe II e Alexandre, o Grande. Se foi verdade que Filipe foi muito cuidadoso com a educação de Alexandre, tendo em vista a sucessão, o mesmo não aconteceu com Alexandre que acabou por morrer bastante cedo e o seu reino foi repartido pelos seus generais.

A ascensão da Macedónia no contexto grego, não era algo provável. Contudo existiram um conjunto de fatores capazes de tornar o impossível numa realidade.

Após as guerras médicas os gregos voltaram-se para um conjunto de guerras internas que provocou um enfraquecimento das duas grandes cidades gregas da altura: Atenas e Esparta. Ao mesmo tempo que estas duas cidades e seus aliados foram desgastados pelas guerras constantes, a pobreza pela devastação dos espaços agrícolas e destruição foi-se evidenciando cada vez mais. José Ribeiro Ferreira explica:

Dado que as guerras na Antiguidade eram por sistema operações de razia, os mais afetados eram sempre os camponeses que viam as suas culturas e haveres destruídos. Daí o abandono dos campos e refúgio na cidade. Aumenta consideravelmente a classe dos tetas e a pauperização é cada vez maior. [1]

Homens como Eurípides e Aristófanes começam a cultivar um ideário pacifista, por oposição à realidade belicosa. No meio deste desespero aumenta a procura de um líder capaz de unir toda a Hélade e que ao mesmo tempo os libertasse da luta fratricida em que estavam mergulhados. Seria desta forma a aceitação, forçada pelo sofrimento, de um poder autocrático.

O Prof. José Sales faz uma comparação sobre a Grécia antes e depois da ascensão da Macedónia:

Em contraste com a independência, o particularismo e o isolacionismo das cidades da Hélade, eternos obstáculos à unidade grega, a civilização helenística é, como dissemos, cosmopolita, assente na vida urbana, mas com traços novos: fomenta os laços diplomáticos, amplia o seu direito local, confere direitos aos estrangeiros (isopolitia), abrindo-lhes as suas associações e clubes, permite o direito de asilo a múltiplos templos. Não surpreende, assim, que as grandes cidades helenísticas (Pérgamo, Éfeso, Alexandria, Seleuceia, Antioquia, Estratoniceia, Laodiceia, Apameia, Cirene, etc.) apresentem um colorido mosaico de populações, com inúmeras cambiantes étnicas, culturais, artísticas, religiosas, etc. [2]

Entrando para a cena num contexto de guerra, sendo mesmo utilizado como refém de guerra com Tebas, Filipe, soube, quase sempre, utilizar as duas maiores armas que tinha: o esmagamento pelas armas ou a negociação diplomática. Os seus casamentos foram uma evidência dessas negociações. Apesar de uma vida de lutas que levaram a Macedónia a afirmar-se, no fim da sua vida consegue pacificar a Grécia com a ideia de Koinè eirènèpaz comum e apresentar-se como o garante dessa mesma paz, como afirmou Carlier:

Philippe II conclut de nombreux accords bilatéraux, ce qui lui permet d’envisager une paix panhellénique, une Koinè eirènè. Cette idée est acceptée par tous les Grecs, hormis les Spartiates. La paix commune est conclue à Corinthe, et est théoriquement illimitée, représentée par un Conseil (synedrion), composé de synèdres, représentants des cités dont le nombre est proportionnel à l’importance politique de leur cité. Le pouvoir exécutif est placé dans les mains d’un hègémôn, chef militaire responsable du maintien de l’armée, et qui est en l’occurrence le Roi de Macédoine. [3]

Caso não tivesse sido assassinado, Filipe teria feito uso do facto de ter conseguido juntar os povos helénicos e congregado os seus exércitos, para que, debaixo das suas ordens, se lançassem na conquista do mundo Bárbaro. Feito que veio a ser consumado pelo seu filho, Alexandre.

Alexandre Magno nasceu em Pella na Macedónia em 356 a. C. e morreu na Babilónia em 323 a.C. O génio Alexandre III, o grande dono do império macedónico, consegue-o devido à conjugação de vários fatores: impetuosidade ambiciosa de Olímpia sua mãe, persistência do cálculo e da inteligência de seu pai, educação de Aristóteles que dos 13 aos 16 anos lhe transmite uma vasta educação cultural helénica, atingindo os ideais de magnanimidade e de autodomínio. Era um general de extraordinária habilidade que nunca tinha perdido uma batalha e um homem de muita coragem e sorte. É visto como um homem inteligente, tentando criar uma união entre o Ocidente e o Oriente, mas por outro lado era instável e sanguinário.

Foi o homem que, em menos tempo, mais contribuiu para mudar o curso da História, dilatando o mundo grego em mais de 4000 km para leste, fundiu bárbaros e helenos, fundou 12 cidades com o nome Alexandria, estabeleceu colónias militares nas terras conquistadas melhorando a sua administração, ligou a Heláde ao Oriente pondo em prática o principio da igualdade de povos e raças.

Morre na Babilónia aos 32 anos vítima de malária ou febre tifoide, não concretizando a ideia de invadir a Arábia. Seu império seria dividido pelos seus generais e apesar da sua grandeza ser dividida também a cultura permanece intacta como sonhada por Alexandre.

[1] FERREIRA, José Ribeiro – Civilizações Clássicas I – Grécia. Lisboa: Universidade Aberta, 1996. p. 193

[2] SALES, José das Candeias – “O estudo da civilização helenística : conceitos, temas e tendências”. In “Des(a)fiando discursos: Homenagem a Maria Emília Ricardo Marques”. Lisboa : Universidade Aberta, 2005, p. 572.

[3] CARLIER, Pierre, Le IVe siècle grec jusqu’à la mort d’Alexandre [em linha] Seuil, Points Histoire, 1995. Disponivel na Internet URL: http://historien.unblog.fr/2007/07/18/la-macedoine-sous-le-regne-dephilippe-ii-359-336-av-j-c/.