No seu original a Bíblia foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego. O grego foi a língua utilizada para o novo testamento, enquanto que os outros dois idiomas, foram usados no velho testamento.

“O hebraico é uma língua semítica, pertencente ao ramo cananeu e estreitamente aparentada com o fenício e o moabita. Foi falada pelo povo judeu até ao século IV. a.C., aproximadamente. Entre as características mais notáveis do hebraico registam-se as seguintes: a maioria dos radicais são triconsonânticos; uma reflexão interna mais marcada do que nas línguas índo-europeias; os verbos têm apenas dois tempos, perfeito e imperfeito, que na realidade, sugerem mais a modalidade da acção do que indicam o tempo em que se realiza; não há compostos, exceto nos nomes próprios e a adjetivação é escassa. A sintaxe é construída, fundamentalmente, à base de orações simples, justapostas através do conetor we (“e”). Este conetor tem, no entanto, outras funções: anteposto (em certas condições) a determinados tempos, muda o significado ordinário de futuro em passado, e inversamente. O hebraico escreve-se da direita para a esquerda. Originalmente a escrita era angular, como pode ver-se na pedra moabita e na inscrição de Siloé, mas, pouco a pouco, evoluiu para os caracteres quadrados atuais. Ao princípio só eram escritas as consonantes, como em muitas outras línguas semíticas; as vogais – à base de traços e pontos – foram ideadas pelos massoretas por volta do séc. V ou VII da nossa era.” (Grande enciclopédia Universal, 2004, p. 6686) Nesta língua foram escritos todos os livros do velho testamento com a exceção de algumas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que forma escritos em Aramaico.

“Aramaico é a designação que recebem os diferentes dialetos de um idioma com alfabeto próprio e com uma história de mais de três mil anos, utilizado por povos que habitavam o Oriente Médio. Foi a língua administrativa e religiosa de diversos impérios da Antiguidade, além de ser o idioma original de muitas partes dos livros bíblicos de Daniel e Esdras, assim como do Talmude.

Pertencendo à família de línguas afro-asiáticas, é classificada no subgrupo das línguas semíticas, à qual também pertencem o árabe e o hebraico.

O aramaico foi, possivelmente, a língua falada por Jesus e ainda hoje é a lingua materna de algumas pequenas comunidades no Oriente Médio, especialmente no interior da Síria; e sua longevidade se deve ao fato de ser escrito e falado pelos aldeões cristãos que durante milénios habitavam as cidades ao norte de Damasco, capital da Síria, entre elas reconhecidamente os vilarejos de Maalula e Yabrud, esse último “onde Jesus Cristo hospedou-se por 3 dias” além dessas outras aldeias da Mesopotâmia reconhecidamente católicas por onde Cristo passou, como Tur’Abdin ao sul da Turquia, fizeram com que o aramaico chegasse intacto até os dias de hoje.

No início do século passado, devido a perseguições políticas e religiosas, milhares desses cristãos fugiram para o ocidente onde ainda hoje restam poucas centenas, vivendo nos Estados Unidos da América, na Europa e na América do Sul e que curiosamente falam e escrevem fluentemente o idioma falado por Jesus Cristo.” (Wikipédia, 2010)

“Um dialeto semita do noroeste, inexactamente chamado caldaico, portanto, porquanto era falado pelos caldeus, no livro de Daniel (ver Daniel 2:4-7:28). Porém sabe-se atualmente que os caldeus falavam o acadiano, assim o termo caldaico foi abandonado, para indicar o aramaico. (…) Os registros históricos dos assírios têm muitas referências a esse idioma, a partir do século XIV a.C. Em diante. Várias inscrições monumentais têm sido encontradas em aramaico, (…) após o exílio, os judeus usavam a escrita aramaica para escrever em hebraico e o conhecimento e o uso aramaico aumentou. Finalmente, o aramaico suplantou o hebraico, e traduções do hebraico para o aramaico tornaram-se necessárias. A princípio essas traduções eram feitas oralmente nas sinagogas; mas finalmente vieram a assumir forma escrita, nos Targumim. Foi então que o aramaico tornou-se a língua comum do judaísmo pró-veterotestamentário, podendo ser visto nos comentários judaicos, como a Mishnah, a Midrash e o Talmude.” (Champlin, 2001, p. 255)

“O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de poucos milhares de habitantes. (Silva, 1999, p. 62)

“Espalhada a cultura grega por vastos territórios, o grego estende-se como única língua de cultura, hasteada pela administração, pelo comércio e pela vida das cidades. As línguas nativas sobrevivem apenas em uso local. O ático, devido ao império de Atenas e ao seu prestígio cultural, impõe-se e espalha-se; adotado como língua oficial por Filipe, por Alexandre e pelo Diádocos. Será ele, mas sensivelmente alterado no sentido da simplificação, que se estende a todos os reinos helenísticos como língua comum – a chamada koinê. É esta língua que vai servir de base ao cristianismo, uma religião de sentido cosmopolita, e será utilizado nos textos do novo testamento.” (Ferreira, 1996, p. 223)

O grego Koinê, não é o grego utilizado na literatura clássica, mas o grego utilizado no quotidiano, na linguagem comercial e na correspondência oficial do império.

O Grego, língua família indo-europeia, deve ser sempre distinguido do grego clássico, a língua utilizada pelos filósofos.

Obras Citadas

Champlin, R. N. (2001). Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia (5ª ed., Vol. I a VI). S. Paulo, S. Paulo, Brasil: Hagnos.

Ferreira, J. R. (1996). Civilizações Clássicas I – Grécia. Lisboa: Universiade Aberta.

Grande enciclopédia Universal. (2004). Lisboa: Durclub.

Silva, A. G. (1999). Bibliologia – Introdução ao estudo da Bíblia. Campinas: EETAD.

Wikipédia, C. d. (28 de Outubro de 2010). Aramaico. Obtido de Wikipédia, a enciclopédia livre: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Aramaico&oldid=36213332