Nos dias de Jesus existiam vários grupos e até subgrupos dentro dos grandes grupos ideológicos como os Fariseus ou os Saduceus. Nesta análise não devemos descorar também os essénios.

Eram muitas as querelas ligadas com a lei naqueles dias. Discussões permanentes sobre qual era a lei a ser observada, se apenas a Torá ou também a lei oral, ou melhor, até onde deveria ser obedecida a lei. “… os saduceus, que apenas admitiam o Pentateuco escrito, e os fariseus que ensinavam a lei oral, havia , na altura do tempo de Jesus, sido suplementada por uma outra discussão, entre hacmin e os fariseus. Uma escola dirigida por Shammai, o Ancião (por volta de 50 a.C. – 30 a.D.), adoptou uma opinião rigorista especialmente em questões de limpeza e de falta de limpeza, uma área explosiva, já que militava fortemente contra a capacidade que teriam as pessoas pobres comuns de atingir a santidade. O rigorismo da escola Shamai, com efeito, levaria, em última instância, os seus descendentes e seguidores para fora da tradição rabíno-judaica, e eles se desvaneceram como os próprios saduceus. Por outro lado havia a escola de Hillel, o Ancião, contemporâneo de Shammai. Ele provinha da diáspora e foi mais tarde mencionado como Hillel, o Babilónio. Trouxe com ele ideias humanas e universalistas da interpretação da Torá. Para Shamai, a essência da Torá estava na minúcia; se não se conhecessem as minúcias com exactidão, o sistema tornava-se insignificante e não se podia sustentar. Para Hillel, a essência da Torá consistia em seu espírito: desde que se aprendesse bem o espírito, podiam-se deixar de lado as minúcias. A tradição contrastou a raiva e o pedantismo de Shammai com a humildade e ansiedade de Hillel em tornar possível para todos os judeus e os conversos a obediência da Lei.”

 

Os fariseus eram um grupo de judeus que acreditava no Antigo Testamento como sendo a Palavra de Deus, mas também acreditavam que Moisés havia transmitido uma lei que não ficou escrita, antes havia sido transmitida oralmente e que tinha por base os usos e costumes traduzidos em tradições. A origem dos fariseus foi o antigo partido dos hassidim. Os Fariseus não só eram conhecedores da Torá como eram especialistas na tradição oral rabínica, por isso o povo confiava neles para cargos importantes.

“Quando a delegação de fariseus viajou à Galileia para ouvir o novo e popular mestre e observar o seu estilo de vida, notaram que era muito menos rígido do que eles. Jesus rejeitou sumariamente sua alegada superioridade religiosa. Deus exigia que sua justiça excedesse muito a deles (Mt. 5:20). Suas alegadas tradições criavam obstáculos e não contribuíam para os esforços de amar e servir a Deus (Mt. 15:2; Mc. 7:3-5). Posteriormente, como ficou claro que Jesus afirmava ser o único Filho de Deus, a hostilidade que já vinham demonstrando contra os ensinamentos de Cristo acabou por recrudescer e se transforma em oposição aberta e determinada.”

 

Os Saduceus eram um partido formado maioritariamente por aristocratas nos dias de Jesus e que eram dominados pela hierarquia dos sumo-sacerdotes. Os saduceus, por oposição aos fariseus, não aceitavam a tradição rabínica impregnada na lei oral, antes apegavam-se em exclusivo à Torá. Eram céticos quanto à ressurreição dos mortos, a crença nos seres celestiais como anjos e demónios; por esta razão se opunham a Jesus por concordar neste particular com os fariseus.

 

Os Essénios eram um grupo ou grupo de pessoas que viviam retirados em comunidades próprias como as de Qumran. Apesar de não serem mencionados pelo Novo Testamento, várias fontes da época referem-se a eles como pessoas que abandonaram a vida em sociedade e refugiaram-se em zonas desertas para esperarem o Messias. Eram mais escrupulosos com o cumprimento da Torá do que os próprios fariseus esperando uma intervenção divina para salvá-los.

Os zelotes eram nacionalistas radicais, mais fanáticos com a lei de Moisés que os fariseus. Opunham-se ao domínio Romano e recusavam-se a pagar os tributos a César, pois só reconheciam a Deus como rei de Israel. Por isso os zelotes funcionavam quase como uma frente de libertação nacional à procura de uma forma de derrubar o domínio Romano. Foi o ensaio de uma rebelião por parte deste grupo que conduziu à destruição de Roma no ano 70 d.C.

 

Os Escribas são muitas vezes mencionados nas Escrituras quer no Antigo Testamento, de onde se destaca Esdras, quer no Novo Testamento nos dias de Jesus. Se em tempos passados, o escriba era um copista e intérprete da lei, nos dias de Jesus ainda funcionava como advogado da lei. Era um grupo profissional respeitado em Israel, pois trabalhava não só com a lei escrita mas também com a lei oral, que aparece também como a tradição dos anciãos.