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Quando era abordado por pessoas interessadas em saber mais

Seguir a Jesus (Mt. 8:18-22; Lc. 9:57-62)

Jesus vai colocar as bases dos seus seguidores, não como uma oferta de facilidades ou grandes proveitos materiais mas como um conjunto de privações. Era necessário que aqueles que o quisessem seguir estivessem cientes de duas coisas: a primeira que seguir Jesus exigia renúncia ao conforto sendo cada dia um dia em que o homem necessitava de viver pela fé. Em segundo lugar Jesus vai explicar que segui-lo era urgente e não poderia ser relegado para depois de… Era necessário deixar tudo e segui-lo.

“A resposta de Jesus (v.20) parece bastante um provérbio geral adaptado às circunstâncias. Dizem alguns que raposas é palavra que representa Herodes e seu séquito (Lucas 13:32 chama-o de “aquela raposa”) e as aves do céu, os gentios, mas tal conjetura é improvável. Jesus está apenas salientando que os que o seguem se sentirão desabrigados, sem um lar.”
Pois o seu lar não é terreno mas é celestial, pelo que tudo o que o homem possa ter neste mundo é muito pouco quando comparado com o que terá na eternidade, se perseverar em seguir Jesus.

 

Nicodemos João 3

Este capítulo de João é dos textos mais claros acerca da doutrina da regeneração ou do novo nascimento, tendo o seu expoente máximo na expressão do versículo 6: “O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do espírito é espírito.”

Precisamos de analisar Nicodemos em pelo menos duas áreas. A primeira questão prende-se com a pessoa em si. Muitas vezes remetemos à covardia o facto de Nicodemos se ter dirigido a Jesus de noite, a verdade é que era provável que essa hora fosse a hora normal de uma individualidade como Nicodemos, rabino, membro do sinédrio, se ocupar da discussão e estudo religioso da lei. O que é certo é que, mesmo que tenha sido o medo que o tenha levado a procurar Jesus pela calada da noite, depois da sua ressurreição ele assumiu a sua ligação a Cristo participando mesmo no seu sepultamento.

A segunda questão tem a ver com a representatividade de Nicodemos no seu grupo social. “Rabi, sabemos que és mestre vindo de Deus; porque ninguém pode fazer os sinais que tu fazes, se Deus não for com Ele”. O plural “Sabemos” permite-nos imaginar que talvez vários líderes religiosos impressionados com os ensinamentos de Jesus e querendo saber mais acerca dele, sem, porém, criar uma sensação pública nem tomar partido publicamente sem terem mais informações, tivessem nomeado Nicodemos para ser uma “comissão de inquérito” de um só membro, de modo sigiloso, cf. 12:42.”

O que moveu Nicodemos a ir ter com Jesus foi a sua vontade de saber mais acerca da pessoa de Jesus, pegando nos sinais que Jesus fazia, tenta saber como é possível, alguém fazê-los. Ao contrário de outros líderes de Israel a sua busca por Jesus não nos parece movida por algum tipo de hostilidade, mas antes de uma vontade de conhecer e saber acerca daquele a quem tinha por Mestre. Nicodemos tinha algumas certezas: Jesus é Mestre e o seu ensino e autoridade vem de Deus; mas Nicodemos estava sedento espiritualmente o que o levou a estar disponível para aceitar que Jesus lhe falasse de temáticas espirituais. Jesus não fez uma grande dissertação capaz de satisfazer as suas curiosidades mas Jesus falou-lhe da necessidade que todo o homem tem de nascer de novo. Levando-o a partir do conhecimento geral da vida para um conhecimento espiritual que necessitava de conhecer. Jesus queria explicar a Nicodemos que apesar de ser uma pessoa bem preparada para explicar tudo o que estava ligado com a carne, precisava de evoluir para um outro conhecimento: o do espírito.

Depois desta troca de palavras, Nicodemos estava preparado para aprender acerca de assuntos espirituais, que Jesus começou a explicar: o primeiro acerca da sua pessoa. Jesus afirma que desceu do céu, inequivocamente uma invocação da sua divindade. Nos versos 12 e 13 Jesus leva este doutor da lei a mergulhar no profundo conhecimento da pessoa de Cristo, no que concerne às suas duas naturezas. Sendo homem quem estava ali a dialogar era Deus. Era como o novo nascimento que embora aconteça nos humanos, que estão na terra, tem a sua origem e recursos no céu, na pessoa de Jesus, homem e Deus.

Ao abordar as coisas desta maneira, Jesus lança por terra um dos grandes ideários dos judeus, o próprio orgulho nacional exclusivista. Se “o que é nascido da carne é carne”, então o facto de ter nascido judeu estava ligado apenas com a carne e isso pouco adiantava uma vez que o homem necessita nascer novamente, agora do espírito, como requisito para poder entrar no reino dos céus.

Em seguida Jesus vai anunciar a sua morte sacrificial como uma dádiva do Pai em resgate de todos os que crerem nele. Ele estava explicando a Nicodemos qual era a sua missão ao dizer: “e como Moisés levantou a serpente no deserto assim importa que o filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:14,15). Acredito que quando Jesus morreu na cruz, ainda que para muitos parecesse algo sem sentido, para Nicodemos era a concretização desta expressão. Agora tudo estava feito por Jesus, restava aos que querem deixar a esfera estritamente humana crerem nele para poderem nascer de novo a abraçarem uma nova vida, a vida eterna e espiritual que advém do Messias, Jesus Cristo.

“O resumo de João aponta para a doação divina do filho, por meio de sua morte, como evidência do amor de Deus pelo mundo. Esse amor reflete o desejo de Deus dar a vida eterna para aqueles que, de outra forma, pereceriam. A missão de Jesus como filho é salvar o mundo, não condená-lo. Crer nele impede a condenação e dá vida. Entretanto, deixar de crer nele é estar condenado por deixar de crer na renovação espiritual que o filho oferece como luz. João vê isso como uma escolha do mal e suas práticas versus escolher abraçar a justiça. Aqueles que recusam Jesus amam as trevas porque as suas obras são más, e aqueles que são maus odeiam a luz e a recusam para que suas práticas não sejam expostas.”

 

Quando era experimentado e tinha de dar um expediente

A vocação de Mateus Mt. 9:9-13; Mc. 2:14-17; Lc. 5:27-32

Onde quer que Jesus passava fazia discípulos, seguidores. Ao chamar homens e mulheres que o seguissem Jesus não escolhia pela raça, cor ou estatuto social. Por isso ao passar na alfândega chamou este homem que, não só o seguiu, mas chamou os seus amigos para tomarem uma refeição em sua casa e ouvirem o Mestre. A situação complica-se porque estes homens eram judeus que trabalhavam para o império romano cobrando os impostos e entregando a Roma, que nesta altura dominava a Palestina. A juntar a esta situação, encontramos a fama que estes homens tinham de com frequência cobrarem impostos em demasia, que revertia a seu favor, sendo isso um roubo aos contribuintes.

A ideologia farisaica era provida de um certo exclusivismo. Por isso não faltavam motivos para excluir estes homens do grupo de pessoas que poderiam privar com alguém que tivesse alguma ligação com Deus. Logo, esta refeição seria impossível. É neste contexto que Jesus vai abrir ainda mais o conhecimento sobre o teor do seu ministério, afirmando que vem para os doentes, ou seja, os que acham que não precisam de nada, pois são muito bons, estariam excluídos do seu ministério, por outro lado Jesus afirma: “misericórdia quero e não sacrifício” citando Oseias 6:6 e querendo ensinar que os sacrifícios ou seja o culto ritual que os judeus praticavam era bom mas era necessário que ao mesmo tempo existisse um coração devoto a Deus e não apenas a aparência. Jesus conclui com o ensino que necessitava de passar: “não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento” mostrando aos seus ouvintes que o homem necessita primeiro de reconhecer a sua condição de pecador para depois poder ser recebido pelo Mestre, por oposição os que acham que não são pecadores ficam excluídos deste privilégio.

Alain Corbin, respeitado historiador da Normandia, na sua obra História do Cristianismo refere-se a Jesus da seguinte forma: “Os evangelhos e o Talmude judeu falam concordemente da tolerância chocante de Jesus quanto às suas atitudes e amizades. Tornou-se solidário com todas as categorias sociais marginalizadas pela sociedade judaica daquele tempo, fosse por desconfiança social, por suspeição política ou por discriminação religiosa. Provocou escândalo o acolhimento que, no seu grupo, reservava às mulheres, aos doentes e pessoas marginalizadas; de facto, Ele considerava que as regras de pureza que proíbem todo o contacto com estes são contrárias ao perdão que Deus oferece.”

O Jejum Mt. 14-17; Mc. 2:18-22; Lc. 5:33-39 Jesus ainda estava à mesa quando foi interpolado por discípulos de João Baptista muito incomodados por Jesus estar num banquete enquanto eles e os fariseus jejuavam com tanta frequência. Estes homens abordaram Jesus num tom de censura mas ao mesmo tempo estavam à espera de uma resposta. A primeira interpolação feita pelos fariseus era se deveria comer com homens deste calibre, “pecadores”.

Jesus dá o exemplo do casamento, dizendo que o noivo ainda está presente e por isso não é hora de se contristarem, referindo-se ao tempo do ministério de Jesus, mas afirmou que haverá um tempo em que o noivo lhes seria tirado, esse seria tempo de jejum. Jesus começou a levantar o véu sobre a brevidade do seu ministério. “O ponto é que os discípulos de João e os fariseus continuavam a observar os seus jejuns mecanicamente, esquecidos de que com Jesus chegara a era do Messias, era esta que muitas vezes o pensamento judaico entendia como uma alegre festa de casamento.” Por outro lado Anuncia tempos de mudança com os exemplos do pano velho e remendo novo e os odres novos e velhos. Era necessário que os seguidores de Jesus percebessem que veio para mudar por completo o rumo da história, mudando a forma de verem até coisas tão importantes como o jejum.

 

Jesus é interrogado para terem de que o acusar Mt. 12:9-13; Mc. 3:1-6; Lc. 6:6-11

Jesus acabara de ter uma disputa sobre o sábado por causa dos seus discípulos terem colhido espigas para comer no sábado, agora entra na Sinagoga e estava lá um homem doente, com uma mão mirrada e a questão era: será que Jesus vai curá-lo ou abandoná-lo. É aqui que Jesus começa a explicar algumas verdades. A primeira é que o sábado tinha por objetivo o bem e não o mal. O sábado foi instituído para que todo o homem pudesse descansar e assim obter uma melhor qualidade de vida tanto a nível espiritual como físico (Mc. 2:27). Em segundo lugar Jesus instrui o seu auditório sobre o valor do homem quando comparado com o valor da lei cerimonial. Começou por lhes fazer admitir que quebrariam o sábado por causa de uma ovelha, agora, para continuarem com a sua ideia, teriam de admitir que o homem valia menos que a ovelha.

 

Jesus foi abordado como líder do grupo e acusado dos seus discípulos não cumprirem o ritual de lavar as mãos antes de comer pão. Mt. 15:1-20; Mc. 7:1-23

No texto os discípulos de Jesus não foram acusados de não cumprir a lei mas de não agirem de acordo com a tradição. Ao longo dos anos foram escritas coletâneas de tradições, halaká, que vinham passando oralmente de pais para filhos e que constituíam a tradição dos anciãos a que os religiosos da época atribuíam grande importância. É certo que o princípio destes escritos era a interpretação correcta da Torá, ou lei, mas o facto é que neste momento não passava de um conjunto normativo de origem humana e que chegava até a ser pretexto para numa interpretação abusiva, levar o homem a ir contra a própria lei.

“O rabinismo farisaico confere à ‘Halaká’ a mesma autoridade que à própria Tora. Segundo b.T.Nidda 45ª, Rabbi Akiba ensina: «Assim como toda a Tora é lei do Sinai, dirigida a Moisés, assim também uma pequena sentença doutrinária é uma sentença do Sinai, dirigida a Moisés». Para fundamentar historicamente essa igualdade, a halaká é apresentada como uma tradição oral secreta, preveniente de Moisés. Jesus porém aponta para a diferença fundamental que existe entre Tora e Halaká. Faz isso de uma maneira que choca o seu ambiente.”

Jesus ao ser confrontado pelos escribas e fariseus, tidos como guardiões dos mandamentos, adianta-lhes uma certeza: “Assim invalidaste pela vossa tradição, o mandamento de Deus”. Jesus vai de imediato buscar o texto de Isaías 29:13, para lhes dizer que eles procuram de forma hipócrita honrar a Deus com o seu exterior, mas orientados para os seus deleites e não para o Deus a quem querem honrar. No fundo procuram uma imagem de adoração a Deus, mas na prática estão a procurar os seus próprios interesses.

Aproveitando este confronto, Jesus não perde a oportunidade de repor a verdade deslocando a atenção do seu auditório do ritualismo para a devoção sincera; ou seja, desloca a atenção deles da prática de rituais para a prática do bem a partir do coração e do desvio continuado do pecado e do mal, contrapondo o que entra pela boca com o que sai do coração.

 

Jesus é interpolado sobre os impostos Mt. 17:24-27; 22:15-22; Mc. 12:13-17; Lc. 20:20-26

Questão do tributo era um bom argumento para tentar apanhar Jesus numa armadilha. Até porque no dia em que Jesus dissesse alguma coisa sobre o tributo a Roma, não eram os judeus que o julgariam mas sim os representantes de Roma. Ao mesmo tempo dizer que se deveria apoiar o inimigo opressor – Roma, seria uma desilusão para os que seguiam a Jesus. No entanto temos aqui dois textos distintos e dois tipos de impostos distintos. O texto de Mateus 17, fala do imposto cobrado a cada indivíduo do sexo masculino com mais de 20 anos de idade e que servia para custear a manutenção do culto do templo que era bastante dispendiosa. Este tributo tinha sido imposto através da lei de Moisés (Êxodo 30:11-16). Nos dias de Jesus este valor havia sido ajustado para o equivalente a dois dias de trabalho e era pago anualmente a coletorias locais, de acordo com a listagem dos homens residentes. Jesus explicou que enquanto filho de Deus estava isento mas enquanto filho do homem pagou.

“É provável que a imagem seja muito mais simples. Se qualquer rei impunha impostos em um país, sem dúvida não os impunha à sua própria família e a quem vivia em sua casa. De fato, os impostos se cobravam para manter sua própria casa. Agora, o imposto em questão se cobrava para o templo, que era a casa de Deus. Jesus era o Filho de Deus. Acaso não diz quando seus pais o buscavam em Jerusalém, e assim é como deve ser traduzido: “Não sabiam que devia estar na casa de meu Pai?” (Lucas 2:49). Como podia ser que o Filho tivesse a obrigação de pagar o imposto destinado à casa de seu próprio Pai? Entretanto, Jesus disse que deviam pagar, não pela obrigação imposta pela lei, mas sim por um dever supremo. Jesus disse que deviam pagar “para não ofendê-los”.”

Os outros textos por sua vez, referem-se a uma realidade diferente. Já não se trata do templo mas do imposto para César. Da mesma forma que Jesus se dispôs a pagar o imposto para o templo, também se dispôs a pagar o tributo a César e de igual forma aproveitou a oportunidade para ensinar alguma coisa aos que o ouviam.

É interessante reparar que “o imposto a que se referiam era uma taxa per capita obrigatória a cada cidadão, a partir da puberdade até aos sessenta e cinco anos. Devia ser pago em moeda romana ao tesouro imperial. O povo judeu se ressentia do pagamento de tal imposto, porque lembrava a todos que eram vassalos de uma potência estrangeira que lhes confiscara a terra e, agora, lhes extorquia uma soma de dinheiro que engordaria os cofres do imperador”.

É relevante ver que surgem agora dois grupos para tentar Jesus através duma armadilha: os fariseus e os herodianos. Este último grupo eram os apoiantes da descendência de Herodes como rei, que tentavam incutir, no povo, ideias nacionalistas. Se olharmos atentamente, este episódio dá-se depois da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, tendo sido aclamado como rei. Então a questão do tributo constituía um bom pretexto para se livrarem de Jesus.

A resposta de Jesus foi sem dúvida interessante. Ao pedir a moeda e ao perguntar de quem era aquela cara, Jesus estava a perguntar que tem afinal o domínio sobre vós? Respeitem quem tem o domínio, talvez pensando nas palavras do profeta Daniel “até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.” Mas logo de seguida transporta os seus ouvintes para um outro universo dizendo: e dai a Deus o que é de Deus.

 

Fariseus e Saduceus interrogam Jesus Mt. 22:23-46; Mc. 12:18-37; Lc. 20:27-47

Nesta altura do ministério de Jesus já era grande a sua oposição por parte dos grupos religiosos da época. Por isso premeditavam perguntas umas atrás das outras para verem se conseguiam apanhar Jesus em alguma falta. Os grupos religiosos e políticos estavam a juntar todos os esforços para tentar apanhar Jesus em alguma falha, conforme o que encontramos no Salmo 2 “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido”. Depois da questão do tributo aparecem os Saduceus com uma pergunta sobre a ressurreição. “A questão não era realmente um pedido de esclarecimento, mas a tentativa de mostrar o absurdo da opinião tradicional judaica sobre a ressurreição, que eles estavam certos ser também a posição de Jesus… Ele explicou que o relacionamento entre homem e mulher na ressurreição não será como o relacionamento do casal na terra, mas será como o relacionamento dos anjos. O problema dos saduceus foi o de limitarem o poder de Deus ao mero restabelecimento das condições terrenas.” A falha dos saduceus tinha dois vectores importantes: o primeiro era o desconhecimento das Escrituras e o segundo era o desconhecimento do poder de Deus. Para podermos compreender em pleno matérias difíceis como esta precisamos de pedir a Deus conhecimento das Escrituras e do seu poder através de um relacionamento pessoal com Ele.

Como os saduceus voltaram envergonhados, foi a vez dos fariseus mais uma vez tentarem. Desta vez mandaram um doutor da lei com uma pergunta teológica.