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John Wicliff, foi o primeiro a traduzir a bíblia para inglês. Fê-lo a partir da Vulgata Latina, chefiando uma equipa, onde também pertencia John Purvey e Nicolas Hereford.

William Tyndale (1490-1536), traduziu a bíblia a partir do grego para o Inglês. Fugido das autoridades eclesiásticas, refugiou-se em worms onde imprimiu e organizou o contrabando para Inglaterra de Milhares de Bíblias sobre tudo de Novos Testamentos. Tyndale, soube tirar partido da imprensa acabada de inventar, sendo assim a primeira bíblia a não ser manuscrita, mas impressa.

Martinho Lutero, tradutor da Bíblia para o vernáculo alemão, efectuou o seu trabalho tendo por base os idiomas originais. Sua tradução ainda hoje é a tradução oficial na Alemanha.

James, após seis meses de ter subido ao trono (1603) presidiu a uma conferência em Hampton, onde foi decidido juntar 54 teólogos para procederem à tradução da bíblia para o Inglês. Ainda hoje a King James Version é das traduções favoritas dos britÂnicos, apesar de de ter sido publicada em 1611.

As traduções do para o português incluem: a “Almeida” 1681/1753, a tradução do Padre António Figueiredo, a tradução de Matos Soares, a Nova Versão Internacional, O livro, A boa nova para toda a gente. Podemos dizer que a Bíblia em Português está disponivel desde 1753, tendo sido um contributo de grande vulto o estabelecimento da Sociedade Bíblica no nosso país em 1809.

A tradução de Almeida, aparece hoje sob várias formas, dadas as várias modificações de que foi alvo o texto, sendo que o trabalho de tradução foi feito a partir do grego e hebraico.

As traduções para o português incluem: a “Almeida” 1681/1753 e as suas edições “Correctas” e da Trinitarian Bible Society, até a fidelíssima “Almeida Corrigida e Revisada, FIEL ao Texto Original”, (conhecida pela sigla ACF, ou por “A. Fiel” ou, simplesmente, por “Fiel”) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, a partir de 1994. A “Almeida Revista e Corrigida” era 100% baseada no TR até a edição de 1948. Mas, nas posteriores, particularmente depois da “actualização” em 1966, só é preponderante (mas não sempre) baseada no TTC-NT.

João Ferreira de Almeida (1628-1691), natural de Mangualde, converteu-se aos 14 anos, em Malaca, após ter lido um folheto. “João Ferreira de Almeida lançou-se num enorme projecto: a tradução do para o português usando como base parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol da tradução de Reyna Valera, 1569. Almeida usou também como fontes nessa tradução as versões: Latina (de Beza), Francesa [Genebra, 1588] e Italiana [Diodati 1641] – todas elas traduzidas do grego e do hebraico. O trabalho foi concluído em menos de um ano quando Almeida tinha apenas 16 anos de idade. Apesar da sua juventude, enviou uma cópia do texto ao governador geral holandês, em Batávia. Crê-se que a cópia teria sido enviada para Amesterdão mas que o responsável pela publicação do texto faleceu resultando no desaparecimento do trabalho de Almeida. Em 1651, ao lhe ser solicitada uma cópia da sua tradução para a Igreja Reformada na ilha de Ceilão, (actual Sri Lanka), Almeida descobriu que o original havia desaparecido. Lançando-se de novo ao trabalho, partindo de uma cópia ou rascunhos anteriores do seu trabalho, Almeida concluiu no ano seguinte uma versão revista dos Evangelhos e do livro de Actos dos Apóstolos. Em 1654, completou todo o Novo Testamento mas, uma vez mais, nada foi feito para imprimir a tradução, sendo realizadas apenas algumas poucas cópias manuscritas (…) Em 1676, Almeida apresentou o seu trabalho de tradução do Novo Testamento ao consistório da Igreja Reformada em Batávia, para revisão. As relações entre Almeida e os revisores da tradução ficaram tensas, especialmente devido a diferenças de opinião sobre o significado de algumas palavras e sobre o estilo do português usado. Isto resultou em grandes demoras no trabalho de revisão, sendo que quatro anos depois ainda se discutiam os capítulos iniciais do Evangelho de Lucas. Almeida decidiu assim, sem o conhecimento dos revisores, enviar uma cópia para a Holanda visando a sua publicação. Apesar da reacção negativa do consistório em Java, a versão em português do Novo Testamento foi finalmente impressa em Amesterdão em 1681 tendo as cópias chegado à Ásia no ano seguinte. No entanto, os revisores conseguiram fazer valer a sua posição, introduzindo alterações ao trabalho de Almeida. O governo holandês concordou com a insatisfação de Almeida e mandou destruir toda a primeira impressão. Ainda assim, Almeida conseguiu salvar algumas cópias sob a condição de que, até nova impressão, os erros principais fossem corrigidos à mão. Os revisores em Batávia reuniram-se novamente para completar a verificação do Novo Testamento e avançar para o Velho Testamento à medida que Almeida o fosse completando. Em 1689, já com a saúde bastante abalada, Almeida deixou o trabalho missionário para se dedicar em pleno ao trabalho de tradução. Veio a morrer em 1691 enquanto traduzia o último capítulo de Ezequiel. Coube ao seu amigo Jacobus op den Akker completar a tradução em 1694.”

A versão de Figueiredo, elaborada pelo Pde António Pereira de Figueiredo, português (1725-1797), sacerdote oratoriano e pedagogo. Esteve ao serviço de Marquês de Pombal tendo traduzido a bíblia a partir da Vulgata Latina, (1783-1790), que foi publicada em 17 volumes.

Igualmente, o padre Matos Soares, colocou as escrituras em Português a partir da Vulgata Latina, sendo publicada pela primeira vez no Brasil em 1946, sendo ainda hoje a tradução mais popular em as comunidades católicas no Brasil. Esta tradução, não tem a fidelidade da tradução de António Figueiredo ou de outras traduções católicas como a dos capuchinhos, por isso é rejeitada por alguns teólogos.

A Bíblia dos capuchinhos, publicada pela difusora bíblica, movimento católico de promoção da Bíblia, apresenta uma bíblia com a sua última revisão e coordenação da equipa de tradutores, a cargo do frei Herculano Alves, tendo sido utilizadas para o efeito textos nas línguas originais.

Actualmente em português existem várias novas traduções que tentarei deixar alguma informação.

A Boa Nova para toda a Gente, é uma tradução interconfessional, onde colaboraram na mesma mesa teólogos evangélicos e católicos, sobre a liderança do Rev. Augusto Esperança, com vista a encontrar uma tradução para Português de Portugal, a partir das línguas originais e que estivesse num português contemporâneo, acessível a todas as camadas da sociedade. Esta tradução recebeu a aprovação dos teólogos evangélicos, logo quando o Novo Testamento ficou concluído em 1978 e recebeu também a aprovação por parte da igreja católica sendo mesmo recomendada pelo bispo do Porto, pela comissão Episcopal da Doutrina e fé. Hoje existe a Bíblia completa, depois de um árduo trabalho que demorou cerca de dez anos, sendo reconhecido por biblistas evangélicos e católicos.

A NVI (Nova Versão Internacional), produzida á luz da mesma filosofia da sua congénere americana NIV (New International Version) é uma tradução a partir das línguas originais para Português do Brasil, sendo publicada a partir de 2000. A crítica apresentada a esta tradução está ligada com os originais utilizados que são os editados por Westcott e Hort em 1881, menos fidedignos que o textus receptus, editado por Erasmo.

Ainda vou apresentar mais esta tradução denominada por “O livro: A bíblia para hoje”. Não foi feita a partir dos originais, mas antes elaborada a partir de uma conceituada tradução de língua inglesa, denominada Living Bible. Esta tradução foi orientada pelo Dr. João Anibal Pinheiro e publicada em 2001 sob a égide da International Bible Society, pela Sociedade Bíblica em parceria com o Núcleo.

Como conclusão deste capítulo onde abordo a bíblia em Português, sou obrigado a falar um pouco de traduções parciais dos textos sagrados, mas que em tempos remotos foram autênticos actos de coragem e valentia, lutando contra a força das autoridades eclesiásticas, que punham a cabeça a prémio de quem colocasse a Bíblia na mãos do povo.

Em 1343, os monges de Cister, que habitavam no mosteiro de Alcobaça, terão traduzido o Livro de Actos dos Apóstolos. “A Bíblia começou a surgir em Portugal, na nossa língua, não em edição integral, que seria trabalho de monta que os recursos da técnica coeva não facilitariam, ao tempo em que reinava D. João I. Por isso este soberano limitou-se a mandar traduzir os quatro evangelhos, o que era, naqueles tempos, uma empresa de algum vulto.” D. João I, no seu desejo de traduzir o Novo Testamento, utilizou alguns sacerdotes para traduzirem a partir so Vulgata os Evangelhos, Actos dos Apóstolos e as epístolas de Paulo. Logo após surgem novamente os evangelhos traduzidos a partir de um texto em Francês pela Infanta D. Filipa (1435-1497).

Alguns anos depois, por D. Leonor, mandou traduzir para português a obra “Vita Christi” sendo um dos passos mais importantes para a divulgação em Portugal do texto sagrado, sendo o trabalho de tradução encomendado ao mosteiro de S, Paulo e o trabalho de correcção e revisão à ordem de S. Francisco.

Na cidade de Faro, em 1489, foi impresso em hebraico, pelo judeu Samuel Gacon o Pentateuco, no dia 30 de Novembro, sendo a primeira obra a ser impressa no nosso país.

A partir do texto Francês de Guillaume de Paris, Rodrigo Álvares traduz e edita os evangelhos e as epístolas em 1497.

Por ordem expressa de D. Leonor, foram publicados o livro dos Actos, e as epístolas de Tiago, pedro, João e Judas, traduzidos so latim pelo frei Bernardo de Brivega, sendo Valentim Fernandes o responsável por esta edição.

Ainda durante o século XVI, Damião de Gois, que viveu num continuo conflito com a inquisição, traduziu para a nossa língua o livro de Eclesiastes, tendo utilizado como fonte privilegiada a septuaginta, visto que dominava o grego e ainda algumas traduções do hebraico para o latim.