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O texto de Génesis 12:10-20 que agora será apreciado é a mostra do que os Egípcios acreditavam quanto aos valores morais, como é o caso do adultério. “A família egípcia assentava no casamento monogâmico. O homem tinha uma única mulher legítima, embora ao lado dela pudessem viver várias concubinas e servas.” (Tavares, 1995, p. 80) Se lermos o texto com atenção encontramos a mentira proferida por Abraão, no que concerne a sua esposa, dizendo que era sua irmã. Uma vez que foi tida por formosa, foi levada ao palácio e Faraó a tomou para que viesse a ser sua mulher. O adultério era algo repudiado pela sociedade egípcia sobretudo porque pervertia a maet ou seja a ordem. Sendo Sara esposa de Abraão, logo o facto de ter sido tomada para a corte egípcia era adultério e consequentemente um atentado contra a ordem, maet. “Os antigos egípcios usavam o conceito de maet, personificado na deusa maet, para referir a ordem cósmica que veio à existência quando no momento da criação o caos foi repelido. Ora, como o caos não foi afastado definitivamente, pairava sempre a ameaça do seu regresso para desvirtuar a ordem cósmica que se pretendia…” (Araújo, 2001, pp. 524, 525) Este regresso do caos era algo sempre temido, uma vez que a qualquer momento maet poderia deixar de repelir o caos e viria então a calamidade no texto em causa aparece esbatido na expressão: “Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão.” (Gn. 12:17, PJFA) Pelo que não existiu dúvida da parte de Faraó ao desconfiar, ou tomar conhecimento que Sara era esposa de Abraão que as pragas que assolavam o Egipto eram o regresso do caos, originado pelo adultério.

 

Segundo o costume egípcio, o rei tinha a responsabilidade de criar condições para que maet dominasse e não existisse a possibilidade do caos se apoderar da terra. Agora o próprio rei tinha, com esta situação, criado condições para a predominância do caos que se começou a manifestar com o aparecimento de certas pragas, prontas para destruírem a terra do Nilo abrindo a porta à fome e à miséria. Dada essa responsabilidade conferida a Faraó, o rei tomou o cuidado de despedir tanto Sara como seu verdadeiro marido em bem, repondo assim a ordem, ou seja maet.

Obras Citadas

Araújo, L. M. (2001). Maet. In L. M. Araújo, Dicionário do Antigo Egipto (pp. 524-536). Lisboa: Editorial Caminho.

Tavares, A. A. (1995). Civilizações Pré-Clássicas. Lisboa, Portugal: Universidade Aberta.