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Se pretendermos perceber um pouco acerca das nações, necessitamos de recuar até aos tempos imediatamente após o dilúvio, uma vez que todos os seres humanos que existem à face da terra descendem desses poucos humanos que resistiram a tão grande inundação. Segundo o relato Bíblico, apenas oito pessoas escaparam à fúria das águas, promovida pelo dilúvio e ficaram responsáveis pelo repovoamento da terra.

“Relata a infância da humanidade, porém o autor não pretende apresentar a história da raça toda; destaca apenas os personagens e sucessos que se relacionam com o plano de redenção através da história.” (Hoff, 1983, p. 21)

Olhemos de forma atenta o capítulo 10 de Génesis. Muitas vezes parece-nos pouco interessante ler genealogias, contudo elas são tão inspiradas como as restantes escrituras e é nelas que encontramos resposta para muitas das interrogações que temos. Neste capítulo, em particular, encontramos a origem de todos os povos antigos. Dos três filhos de Noé, שׁם (Sem), חם (Cam) e יפת (Jafé), surgiram todos os povos.

Os descendentes de Sem povoaram as regiões Asiáticas estendendo-se desde o Oceano Indico até às praias do Mediterrâneo. Profeticamente Noé vai dizer: “Bendito seja o Senhor, Deus de Sem” e “Habite Deus nas tendas de Sem”, vindo mais tarde Abraão a ser descendente de Sem, assim como Jesus Cristo o Messias.

Os descendentes de Jafé, habitaram as ilhas do Mediterrâneo e a Ásia Menor. Acerca de Jafé, Noé proferiu as seguintes palavras, que se cumpriram e estão se cumprindo: “Alargue Deus a Jafé”. A história tem testemunhado este alargamento proveniente da raça ariana. Basta olharmos que os maiores impérios da história têm sua origem em Jafé.

Por último resta-nos Cam. Por causa do seu carácter e sobretudo de seu filho Canaã, Cam, foi amaldiçoado. Sua sentença foi ser serviçal de seus irmãos. Sua descendência seria serviçal da descendência de seus irmãos. Os filhos de Cam implantaram-se em África, no litoral Mediterrâneo da Arábia e na Mesopotâmia.

A intenção de construir a torre de Babel e a confusão das línguas é um acontecimento importante que deve ser tido em conta quando falamos das nações. Mas afinal o que é uma nação? “Nação, do latim natio, de natus (nascido), é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes, formando assim, um povo, cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos, tradições, religião, língua e consciência nacional.” (Wikipédia, 2012)

Quando se deu a confusão das línguas, os povos agruparam-se pela a identificação linguística, provocando assim uma forma de separação entre eles e um espalhar pela terra de acordo com o idioma que falavam.

Aconteceu 101 anos depois do diluvio e 326 antes da chamada de Abraão, na terra de Sinar, situada na planície entre os rios Tigre e Eufrates, o povo decide construir uma cidade e uma torre.

Muito se especula de como seria a torre e se seria possível numa fase tão atrasada da civilização existir já uma torre de tão grande envergadura. Nesta época na Mesopotâmia já existiam os zigirates, que eram torres e templo em simultâneo, formados por uma base quadrada escadas nos lados que conduziam ao topo onde normalmente existia um altar a uma divindade. Estes monumentos com suas escadas deveriam mostrar ao homem que serviam de escadas de acesso ao céu. Em muitos dos casos eram adorados os astros como o sol e a lua.

Sua ideia contrariava por completo a ordem dada por Deus, multiplicai-vos e enchei a terra. Queriam juntar-se fazendo uma grande cidade com um grande nome para juntos poderem chegar ao céu. O homem, mais uma vez optou por desistir do plano de Deus para improvisar para si um plano que lhe parecesse melhor. No Edem o homem quis ser igual a Deus, desobedecendo e pecando contudo Deus na sua misericórdia não só providenciou um escape para o homem prometendo a vinda de um que esmagaria a cabeça da serpente como também lhe providenciou agasalhos, Caim ao matar seu irmão, sente-se inseguro e Deus na sua misericórdia providencia uma marca com uma severa condenação para quem atentasse contra a vida de Caim. Quando chegamos aos dias de Noé, o pecado havia-se multiplicado e Deus não destruiu de imediato a terra antes enviou Noé como o pregoeiro da justiça o qual pregou o evangelho e todos tiveram oportunidade de se arrepender e escapar do juízo divino, fazendo no final um pacto com o homem de não mais destruir a terra pela diluvio. Por último chegamos a Babel e Deus entreviu de forma imediata, não enviando um pregador primeiro, antes executando juízo. Na nossa vida quotidiana Deus muitas vezes enviará um mensageiro para nos alertar até um dia em que em vez do aviso virá de imediato punindo o pecado.

“A diversidade de línguas obrigou a multidão quase infinita desse povo a dividir-se em diversas colónias, segundo Deus, por sua providência, os ia levando. Assim, não somente o meio da terra, mas também as margens do mar encheram-se de habitantes. Houve mesmo quem embarcasse em navios e passasse às ilhas. Algumas dessas nações conservam ainda nomes dados por aquele que lhes deram origem, outras mudaram-nos e outras ainda, por fim, em vez de nomes bárbaros que antes possuíam, receberam nomes que eram do agrado daqueles que nelas vinham se estabelecer.” (Josefo, 2007, p. 87)

É importante ver também o lado profético que encontramos no capítulo 10 de Génesis concernente aos filhos de Noé: “Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.”. Muitos têm visto neste texto a resposta para o Messias, o enviado de Deus ser semita, ou descendente de Sem e para o povo escolhido de Deus, Israel ser de origem semita também.

 

Obras citadas

Hoff, P. (1983). O Pentateuco. Miami: Editora Vida.

Josefo, F. (2007). Antiguidades Judaicas. In F. Josefo, & J. Finamore (Ed.), História dos Hebreus – De Abraão à Queda de Jerusalém – Obra completa (V. Pedroso, Trad., 11ª ed., p. 1568). Rio de Janeiro, RJ, Brasil: CPAD.