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“A forma plural, evangelhos (em grego, euangelia) não teria sido compreendida nos tempos apostólicos, nem mesmo durante as duas gerações seguintes, pois faz parte da essência da mensagem apostólica que existe apenas um único verdadeiro evangelho. Quem quer que proclamasse outro, no dizer de Paulo, que fosse anátema (Gálatas 1:8 e seg.). Os quatro registos são de um único evangelho – o evangelho de Deus… com respeito a Seu filho (Romanos 1:1-3). Não foi senão no segundo século da nossa era que começou a ser usada a forma plural; assim é que Justino o mártir diz que as memórias compostas pelos apóstolos são chamadas de evangelhos (primeira apologia 66). Os escritores anteriores empregaram o singular, quer estejam se referindo a um só dos escritos evangélicos, quer se refiram à coleção de tais escritos.”

A palavra evangelho significa boas novas.

Ezequiel 1: 10 E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro.

Para alguns historiadores e teólogos existe uma relação entre este texto e os sinópticos, comparando os quatros rostos com as quatro óticas de apresentação Cristológica nos evangelhos. Em Mateus, Cristo é apresentado o rei, sendo o leão o rei da selva, então em Mateus Cristo é visto como o Leão. No evangelho de Marcos, um evangelho onde os atos são muito mais enfatizados do que as palavras, é visto como o boi, uma vez que o boi, com a sua força, é um animal utilizado para trabalho. Em Lucas, Cristo é apresentado como o filho do homem. Por último João, onde Cristo é apresentado como o filho de Deus, estando ligado com o céu e com as alturas.

A verdade é que existem algumas diferenças a assinalar entre os evangelhos, que não os colocam em rota de colisão mas completam-nos. Começando pela ênfase que cada um deles dá, encontramos logo aqui muito para falar, mas de forma resumida poderemos dizer que Mateus enfatiza os sermões de Jesus, apresentando com detalhe cinco principais sermões de Jesus. Por outro lado o evangelho de Marcos sendo o mais pequeno de todos enfatiza os acontecimentos, com destaque para os milagres. É um evangelho muito prático. O evangelho de Lucas enfatiza as Parábolas. “Vinte e oito das quarenta passagens em geral classificadas como parábolas se encontram em Lucas, sendo quinze delas exclusivas de seu evangelho. Todas as quinze, com exceção de uma, aparecem na parte central (9:51-18:34). Em sua maioria, as parábolas de Lucas não se incluem entre as narrativas mais enigmáticas de Jesus, elaboradas para separar os de fora dos de dentro (à la Marcos 4 e Mateus 13), mas são histórias simples, realistas e ilustrativas para camponeses judeus.”

Os Sinóticos

“Essa palavra vem do grego sun, “junto com”, e epsis, “visão”, dando a entender uma visão conjunta sobre algo, uma visão do mesmo ângulo. Esse adjetivo é aplicado aos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, porque os seus pontos de vista sobre a vida de Cristo concordam e são praticamente, os mesmos (muito material é ali compartilhado, tendo o evangelho de Marcos como principal registo histórico utilizado pelos outros dois evangelhos). João contrasta com os três primeiros, pois vê Cristo por outro ângulo. Se os três primeiros tentam fornecer uma espécie de biografia, João destaca lances isolados da vida de Cristo, substituindo as parábolas daqueles evangelhos por diálogos e discursos.”

Como muitos afirmam, Marcos deve ter sido o primeiro a ser escrito e deve ter servido de fonte para Mateus e Lucas. No entanto aparece em Mateus e Lucas matéria ausente no evangelho de Marcos, o que supõe outra fonte, ou outras fontes, que não devem ter chegado até hoje e que normalmente se designa por documento “Q”, por causa da palavra alemã Quelle, que significa fonte ou origem.

Dos 661 versículos de Marcos, 606 aparecem em Mateus e 380 em Lucas, ainda que apareçam algumas alterações pequenas. Dos 1068 versículos de Mateus, cerca de 500, contém material que também está em Marcos. E dos 1149 versículos de Lucas, cerca de 380 têm paralelo em Marcos. No livro de Marcos, apenas 31 versículos não têm paralelo em nenhum dos outros sinóticos, contudo Mateus e Lucas têm 250 versículos comuns que não têm paralelo em Marcos.

Nestes três livros, existe a preocupação de nos fornecer dados sobre a vivência e ensino de Jesus enquanto viveu aqui, desde o seu nascimento e infância, passando pelo seu ministério, morte, ressurreição e ascensão. Pensa-se que os evangelhos terão sido escritos entre 60 e 45 d.C.

Não existe contestação ao facto de cada evangelho levar o nome do seu escritor.

Evangelho de João

João apresenta Jesus, como Deus, o verbo Divino. Ele começa o seu livro com uma grande introdução onde começa a dizer quem é o verbo divino, como o verbo foi rejeitado e como se pode aceitar esse Verbo. Depois ele volta ao início e apresenta Jesus já encarnado revelando-se à humanidade, é de relevar a importância que João dá à oposição que era feita à pessoa de Jesus, como era feita e como Ele reagia. A partir do capítulo 12 e o versículo 36, João começa a apresentar a revelação de Jesus na intimidade, a forma como preparou os seus discípulos, para serem continuadores do seu ministério. Por último, aborda a sua paixão, morte, ressurreição e aparecimento depois de ressurreto.

Este livro está organizado de forma temática, deixando para a igreja um ensino sem par, escrito com um propósito bem definido: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome.” (João 20:31)